Capítulo V
Apologia à Bendita Virgem e à Ss. Trindade
Art. 7°. - Ajustada à pragmática do culto, alinha-se a exegese à Virgem Santíssima e ao excelso e trino Ser Supremo, aos quais não é lícito tomar-se em repúdio, baixo impulso de falsos princípios e ao talante de contradições levianas, com o que se emitem desonrosos conceitos.
Art. 8°. - Se considerando ter ela a primazia que apregoam as multidões que a veneram e a que faz jus a honraria que lhe tributam tôdas as gerações (Lc 1:48-49) é tropeçar em êrro não conhecer a mística divina e macular-lhe o quilate com sentido meramente humano, querendo-se ofuscar-lhe as "grandes coisas" (benignidade, méritos, etc.) com que o Salvador lhe salvara, pondo-a em privilégio:
¶. 1°. - Por mais não diz a Bíblia dos filhos de Maria e nem que ela os teve além do Verbo, sendo os irmãos de Jesus em sentido místico e na fé, sem agnação portanto, conforme o apóstolo Paulo gerou também o seu filho Onésimo (Flm, 1:10) e o mesmo termo que Jesus Cristo emprega em Mc 10:29-30 com vistas aos irmãos e filhos para o seguirem, sendo que bem assim Jesus com a natureza divina (primeiro plano), jamais admitiu fôsse ela apenas sua mãe carnal e sim a genitora da humanidade em sentido místico, tomando-a por mãe do apóstolo João e a êste por seu filho como expressão do gênero humano (Jo 19:26-27), cujo simbolismo também consolidou até a sua volta no grande Juízo (Jo 21:21-23) - portanto é ela a medianeira entre Cristo e a humanidade e ele é o único medianeiro entre a humanidade e o Pai.
Art. 9°. - Avultar que os irmãos de Jesus o são em sentido consanguíneo é mero engano, pois os dois irmãos Tiago e João, são em verdade os filhos de Zebedeu, e Tiago menor, filho de Alfeu (Mt 10:2-4; Lc 6:14-16 e Mc 3:16-19) e S. Judas Tadeu que em Mt 13:55 e Mc 6:3 é em têrmo místico irmão de Jesus, é por outro lado em têrmo consanguíneo irmão de Tiago e primo de Jesus em Lc 6:16; At 1:13 e Jd 1:1, e, quanto ao espôso da Virgem não tê-la infamado (Mt 1:19) por amor fraterno, isto só se conheceu depois pelas provas em contrario (pureza, santidade, excelência e afins) plenamente salvas na eleita de Deus, portanto, não diz o texto ter o patriarca a conhecido maritalmente, sendo Jesus em sentido humano, o primeiro e último Filho da Virgem.
Art. 10°. - Debalde, na verdade não era concebível à alma do Ser Supremo ficar restrita àquele templo corpóreo revestido apenas da natureza humana (segundo plano), inferior a dos anjos "por causa da paixão da morte a que sujeitara-se" (Hb 2:7-9), e da Virgem alijar as "grandes coisas", transformando em instintos carnais os privilégios predestinados, invalidando-se a pureza inerente à sua alma no céu, criada qual potestade para aquêle grande evento, parecendo oculto êsse princípio apenas ao entendimento vulgar dos que ao curso de juízos mercenários mecanizam as idéias por uma concepção espúria, menos para os afeitos ao exame racional e lógico das visões e das Sagradas Escrituras em realidade e consciência.
Art. 11°. - Levando a apologia ao princípio teológico, é válido considerar o critério de a Virgem, em segundo plano (natureza humana cristã), se constituir a mãe do Verbo correspondendo à mãe de Deus, posto que Ele chama as coisas que não são como se já existissem (Rm 4:17) e porque para Ele nada é impossível (Lc 1:37 e Mc 10:27), o qual é glorificado pelo Filho, e este por Ele, antes que o mundo por este fôsse criado (Jo 1:1-4 e Hb 1:2), o qual voltou à glória tanto mais excelente que a dos anjos (Hb 1:4), portanto: o Pai e o Filho a eles se superam e, pelo fato do Pai e o Filho serem um só Ser Supremo (Jo 10:30), sendo Jesus por isso, "o Caminho, a Verdade e a Vida" - quem a êle chega desde já está vendo o Pai e já o ter visto, pois quem vê a Jesus está vendo é o Pai já que Ele está no Pai e êste nêle (Jo 12:44-45 e 14:6-11) - , o qual com dupla natureza divina e humana, com esta deu-se ao martírio e à morte e com a primeira conservou a divindade, tendo assim a vida por si mesmo, por cujo princípio temos que quem recebe ao Filho, está recebendo é o Pai, e quem a êste recebe, está recebendo é o Filho (Mt 10:40), bem como todos que honrarem a Cristo estão honrando ao Pai e todo aquêle que assim não honra ao Filho, está desonrando é o Pai o qual passou ao Filho todo o julgamento (Jo 5:22-23), portanto tudo o Pai passou ao Filho, o qual é a imagem do Deus invisível (Cls 1:15) e ninguém o conhece senão o Pai e a êste senão o Filho e aquêle a quem quer revelar (Lc 11:27) envolvendo êste critério a indivisível dualidade, de cujo princípio procede o Espírito Santo formando com o Pai e o Filho a Ss. Trindade, a qual dá testemunho do Espírito, da Água e do Sangue que nos céus e na terra são um só Ser Supremo (1Jo 5:7-8 e 20).
Art 12°. - Segue-se que, negando-se o Filho se está negando é o Pai, e se é do Anticristo, todo aquêle que proclamar Jesus Cristo, êste é do Pai e tem a vida eterna (1.Jo 22-25) devendo se conhecer que o Pai está no Verbo e êste nêle, não como as potestades e os espíritos que no céu vivem, nem como os que hão de voltar, mas porque no princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus e tôdas as coisas foram feitas por êle e sem êle, nada do que foi feito se fêz sem êle (Jo 1:1-4 e Hb 1:2 supracitados), não houve e nem haverá outros Deuses nem há outro Salvador se não Ele (Is 43:10).
Art. 13°. - Sabendo-se que todo o princípio foram os céus (2Pe 3:5) e que imprimiu o Pai à sua natureza e divindade o nome Filho (Sl 2:7; At 13:33 e Hb 1:5 e 5:5) é em outros têrmos "o Mistério que estêve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que agora foi manifesto aos seus santos, aos quais quis Deus fazer conhecer as riquezas da glória dêste Mistério entre os gentios que é Jesus para conhecimento do Mistério de Deus-Cristo" (Cls 1:26 e 2:22), cuja analogia em Je 31:31-34 é Jesus Cristo, a Aliança prometida em que o Pai se mostrara a todos, daí ser o Pai a cabeça de Cristo (1Cor 11:3) e ninguém ter visto o Pai senão o que de Deus é a essência que em outros têrmos é o Filho (Jo 1:18 e 6:46 e 1Tmt 6:16).
Art. 14°. - Levando o contexto, é o Pai maior que o Filho no direito de a êste passar todo o poder nos céus e na terra (Mt 11:27 e Lc 10:22) posto que o Verbo, Alma e Natureza do Pai, não se engrandece por si mesmo (Jo 8:54) mas a êle se iguala (Jo 13:16) e porque Jesus com a natureza humana rebaixara-se em relação ao Pai.
¶ 1°. - Não obstante, este ordena aos anjos adoração a Jesus Cristo e a este diz: "ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, por isso Deus o teu Deus te ungiu" (Hb 1:6-9), cujo princípio em Rom 9:5 é análogo, em que Cristo é o Deus sobre todas as coisas, se constituindo assim o grande poder que converte o impossível ao concebível na mística divina, sem o que a sabedoria suprema seria insustentável.
Art. 15°. - Sabendo-se que é Jesus Cristo antes de todas as coisas as quais por ele subsistem (Cls 1:17), retornou aos céus com as naturezas divina e humana (segunda natureza) como se infere dos Evangelhos ao Apocalipse, e é o nosso Deus e Pai (2Tes 2:16), nosso Deus e Salvador (2Pe 1:1): verdadeiro Deus e vida eterna (1Jo 5:20): é finalmente o Maravilhoso Conselheiro, Deus forte e Pai da Eternidade (Is 9:5), o Alfa e o Ômega,.o começo e o fim de todas as coisas, o Deus de todos os que venceram e o templo celestial (Ap 1:8, 21:6 e 22), justificando-se assim ser Ele verdadeiramente o Pai e o Espírito Santo na Trindade e Unidade pela essência e naturezas divina e humana, esta última enfatizada pela Bíblia para que a adoração, louvor, honra e glória a êle tributadas não seja uma impostura divina mas a livre expressão do arbítrio humano ao seu querer supremo conforme determina o Pai para as criaturas.




